Short Description
Se fizermos uma comparação entre a importância da ciência no Islam e sua importância no cristianismo alterado encontraremos que a Igreja na Idade Média era completamente contra a ciência..jpg)
Esta é a ponta do iceberg, os exemplos desse tipo são muitos e não param apenas nos julgamentos de Copérnico e Galileu e outros que citamos, mas expandiram a formação da inquisição contra os sábios, este tribunal realizou o seu trabalho de forma completa de maneira que, em um período de dezoito anos – desde 1481 até 1499 dC – condenou 10220 pessoas a serem queimados vivas e foram queimadas, 6860 pessoas à forca publicamente e também foram executadas desta forma, e condenaram 79023 pessoas a punições variadas[17]. Também proferiu decisões que proibiam a leitura dos livros de Galileu, de Giordano Bruno e Newton[18] (por ter proposto a lei da gravitação universal) e ordenavam a queima de seus livros, o Cardinal Ecmenio queimou 8000 livros manuscritos em Granada porque eram contrários às opiniões da Igreja[19]!
Esta terrível e escura realidade foi vivida pela Europa durante longos séculos e foi denominada idade das trevas, e é denominada Idade Medieval, que perdurou cerca de mil anos. Esta realidade fixou nas mentes dos sábios (a exemplo de Descartes[20] e Voltaire[21]) e das pessoas em geral a idéia de que não há esperança na busca do conhecimento e na invenção científica a não ser com a destruição da autoridade da Igreja, com a eliminação da religião completamente dos corações e com a adoção do ateísmo – em todos os sentidos da palavra, então publicaram explicitamente a oposição às Escrituras Sagradas, como a Torá e o Evangelho, porque elas contém o que contraria as realidades científicas e porque creram que a religião – como viram realmente – persegue a ciência e os cientistas, o que se caracteriza a limitação da inteligência. Em seguida, pregaram a defesa da mente na oposição aos textos principais, argumentando que a mente pode alcançar as realidades científicas e pode distinguir entre o bem e o mal.
Após a Revolução Francesa, a Assembléia Nacional Francesa apoiou esta libertação ao emitir decisões no ano de 1790 dC, que foram um verdadeiro golpe contra a Igreja, nas quais dissolveram os padres e freiras e obrigaram os homens da Igreja a se submeterem à lei civil, e começou a nomear os líderes da Igreja em vez do Papa. E em 1905 dC, o governo francês reconheceu a lei que divide a religião do governo embasando-se na distinção entre eles e publicou a neutralidade do Estado frente à religião, sendo outro golpe que incentivou os opositores da Igreja a fazerem juramento de fidelidade ao povo, ao reino e à nova lei civil. Em seguida, se sucederam as decisões abrangendo os países da Europa, reduzindo assim, o papel da Igreja na tentativa de domínio dos assuntos da ciência e da política e para se resumir completamente à prática de exortações e cânticos dentro de quatro paredes[22]!
A religião Islâmica nunca foi como a Igreja, nunca se opôs ou se colocou como obstáculo no caminho dos muçulmanos rumo à ciência, seja na área teórica, seja na área prática. Do contrário, convidou ao conhecimento e o incentivou, dando à mente total liberdade e absoluta contemplação e reflexão, distanciando-se da influência dos hábitos, desejos e caprichos. Como não faria isso, sendo que Allah enobreceu a mente ao dirigir a expressão a ela e ao fazê-lo a base da responsabilidade!
Desta maneira, houve uma enorme diferença entre o pensamento islâmico baseado na liberdade de pensamento e na relação entre Allah e entre o servo sem intermediário – tal pensamento que eleva a mente e dirige a palavra a ela – e entre o pensamento cristão na Idade Medieval, que apreende a liberdade de pensamento e coloca a autoridade canônica entre os servos e entre o Senhor. Isso esclarece completamente porque a civilização européia no Ocidente precisou de mil anos para começar a se desenvolver gradativamente para, em seguida, construir seu renascimento sobre os ombros dos muçulmanos, sendo que ela tinha boas oportunidades de começar dois ou três séculos antes da civilização árabe islâmica[23].
[2] Dr Sigris Hunke: (1913 – 1999) Ocidentalista alemã, nasceu em Hamburgo, estudou as ciências da religião, religião comparativa, filosofia, psicologia e jornalismo. Tornou-se doutora em 1941. Visitou vários países árabes. Entre as suas obras: “O sol dos árabes brilha sobre o ocidente” e “Deus não é assim”.
[3] Sigris Hunke: O sol dos árabes brilha sobre o ocidente, p. 369.
[4] Santo Agostinho: (354 – 430 dC) Uma das mais importantes personalidades da história do Cristianismo indiferente de suas seitas. Cresceu cristão no norte da África, tornou-se maniqueísta e depois retornou ao Cristianismo. Foi sendo promovido até tornar-se bispo. Alguns historiadores o consideram uma personalidade marcante na história do Cristianismo.
[5] Sigris Hunke: O sol dos árabes brilha sobre o ocidente, p. 370.
[6] Lactâncio, o africano: Um dos mais conhecidos santos cristãos, nasceu e cresceu na África na segunda metade do século III cristão. Conhecido como o defensor do Cristianismo, tentou comprovar o Cristianismo através da filosofia e lógica. O Imperador Constantino o designou tutor de seu filho mais velho.
[7] Sigris Hunke: O sol dos árabes brilha sobre o ocidente, p. 370.
[8] Copérnico: Nicolau Copérnico (1473 – 1543 dC). Nasceu na cidade de Torun, na Rússia. Estudou na Polônia e concluiu seus estudos na Universidade de Bolonha na Itália. Era hábil astrônomo. É considerado o primeiro a formar a teoria do heliocentrismo e a teoria de que a Terra gira em torno de sol.
[9] Goethe: (1739 – 1832) Um dos mais destacados literários alemãos, ele se influenciou com o pensamento literário árabe. Tem um poema cujo título é “a emigração” e “conjunto de poesias orientais de um poeta ocidental”.
[10] Will Durant: História da Civilização, 27/138 – 139.
[11] Idem 27/ 131 – 134.
[12] Bruno: Giordano Bruno (1548 – 1600) Um dos mais famosos filósofos ocidentais italianos na época do renascimento europeu, seu pensamento é considerado uma mistura de filosofia, sufismo e feitiçaria. Sua preocupação espiritual e sua crítica intelectual o fez duvidar dos ensinamentos da Igreja. Por isso, o supremo tribunal da Inquisição o condenou a pena de morte em 1600 dC, e foi queimado vivo em Roma.
[13] Will Durant: História da Civilização, 27/138.
[14] Veja a história de Bruno em: História da Civilização, 27/288 – 300.
[15] Galileu: (1564 – 1642 dC) Estudioso astrônomo e físico italiano. Era chamado de fundador das ciências experimentais modernas. A Igreja Romana o convocou duas vezes para investigar a verdade sobre o seu apoio à teoria de Copérnico. Em 1633, a Igreja o condenou a prisão perpétua.
[16] Veja a história de Galileu em: História da Civilização, 27/ 264 - 280.
[17] Al Imam Muhammad Abduh: A Perseguição no Cristianismo e no Islam. Artigo publicado na “Revista Al Manar”, quinto volume, p. 401.
[18] Newton: Isaac Newton (1642 – 1727) estudioso matemático e astrônomo inglês, descobriu a teoria da gravidade da Terra, também descobriu os mistérios da luz e das cores, e elaborou o cálculo variacional e o método de integração por partes.
[19] Mani’ibn Hammad Al Juhani: Enciclopédia Fácil sobre Religiões e Seitas e Partidos Contemporâneos, 2/604.
[20] Descartes: René Descartes (1596 – 1650) Filósofo e matemático francês que muitas vezes é chamado de pai da filosofia moderna. Ele fundou a geometria analítica e foi o primeiro filósofo a caracterizar o Universo material segundo a matéria e o movimento.
[21] Voltaire: (1694 – 1778) Um dos mais famosos escritores e filósofos franceses e de maior influência. Seu livro Cândido (1759) é considerada mais conhecida de suas obras e foi traduzida para mais de cem idiomas.
[22] Enciclopédia Fácil de Religiões, Seitas e Partidos Contemporâneos. Assembléia Mundial da Juventude Islâmica. Capítulo sob o título: Os Católicos.
[23] Veja: Sigris Hunke: O sol dos árabes brilha sobre o ocidente, p 372,373.
Comentários
Envie o seu comentário